A SOLUÇÃO MAIS FÁCIL ERA

o brasil é o décimo país mais desigual no mundo
nossa educação básica está entre as piores
temos o orgulho de liderar o ranking mundial de homicídios

é preciso imediatamente
liberar a pena de morte no brasil
e armar o cidadão de bem

só uma guerra civil trará a paz

é preciso imediatamente
construir mais cemitérios
para que possamos
matar todos os brasileiros

alguns inocentes irão morrer
faz parte
eles já estão morrendo hoje
então adiantemos o trabalho

vamos fazer a faxina

mate o idiota que demora para acelerar quando a sinaleira fica verde
rastreie o mentecapto que te ligou por engano e acabe com sua vida
assassine o vizinho que apertou o botão errado no elevador aquela vez

quando te pedirem por favor
dê um tiro

com licença
uma facada

torture

não deixe as crianças escaparem
todos
absolutamente todos
devem ser contemplados
pelo genocídio

formemos o mais eficiente
grupo de extermínio
sem vaidades
sem conversas paralelas
um extermínio puro e completo

investir na morte
é investir no futuro

matemos todos
só assim haverá esperança

temos a chance de fazer algo incrível juntos
bora começar

Anúncios

deserto

caminhava por um deserto escaldante na companhia das minhas sandalias eu sempre odiei sandalias e me odiava por usalas naquele momento mas era a unica maneira de sobreviver sem queimar os pes ou enchelos de bolhas que se transformavam em feridas abertas e em pouco tempo os pes ficam tao podres que é melhor nao telos

eu nao sei como vim parar aqui

esse é o primero ponto e agora nao tem importancia alguma a unica coisa que quero é conseguir sair eu olho pro sol e tento me guiar por ele mas nao entendo nada dessas coisas e torço pra cair logo a noite pra chegar o frio e acabar com minhas alucinaçoes

hoje mais cedo eu avistei de longe um camelo e um senhor nao tenho ideia se era jovem ou velho e nem se era mesmo um homem mas uma pessoa e um camelo isso eu tenho certeza que vi e eu gritei socorro e eu gritei me ajuda gritei tambem em ingles e em todos os idiomas que eu sei dizer socorro e ajude mas nem o camelo nem o senhor me olharam eles continuaram caminhando lentamente longe de mim longe demais pra me ouvir e longe demais para eu alcançalos

o camelo sabe das coisas eu vou é atras deles eu pensei e ate tentei seguir seus passos mas entao uma tempestade de areia bateu e tudo sumiu eu me atirei no chao e quase fui soterrado

eu nao sei a quantos dias eu caminho e nem como ainda to vivo sem agua sem comida sem direçao

eu ja pensei em desistir algumas vezes e eu ja tentei desistir outras tantas mas entao alguma coisa dentro da minha cabeça diz sai daqui cara e eu me levanto e continuo afundando o pe na areia ja deixei minha mochila so carrego a roupa do corpo e um fio de esperança de achar agua ou de encontra uns nativos que me ajudem a sair daqui

vejo de longe arvores parecem coqueiros aquela visao cliche de uma alucinaçao é tao cliche que deve ser verdade entao eu acelero o passo ou algo parecido com isso e vou naquela direçao mas quanto mais eu caminho parece ficar mais longe ate que desaparece e eu olho pra todos os lados e so vejo montes e montes de areia

caio no chao

acordo no susto balançando acordo e estou dentro de uma gaiola puxado por um camelo e tem duas pessoas comigo todas com cara de dor e sofrimento assim como eu tambem devo estar

eles nao falam minha lingua nem nada quando eu tento puxar conversa um homem abre a boca e eu vejo que ele nao tem lingua alguma ele nao vai conseguir falar entao eu abro bem meus olhos pra ver o outro e noto que ele nao tem olhos

coloco minhas maos do lado da cabeça e percebo que minhas orelhas sumiram e percebo que nao escuto nada nem o vento tambem percebo que estou com o pescoço acorrentado e prefiria estar morto

o camelo caminha devagar ele nao tem pressa o senhor ao lado dele quem sabe aquele mesmo que eu vi antes usa um turbante ja gasto e tem um rosto muito feio cheio de cicatrizes ele ve que eu estou olhando atentamente pra ele e puxa uma faca enorme do bolso vem ate a gaiola chega bem perto de mim e fala e fala e fala

eu vejo que ele mexe a boca mas sera que ele nao entendeu que agora eu sou surdo provavelmente ele mesmo arrancou minhas orelhas que tipo de ser humano babaca é ele eu me agarro na grade e começo a fazer força como se fosse possivel quebrala como se fosse possivel fugir de tudo isso e voltar pra beira da praia

a miseria da vida

versava sobre as dificuldades em manter uma vida digna trabalhando muito e ganhando pouco com projetos na cabeça que nunca saem do papel quando chegam ate la

como as injustiças eram tantas e sempre recaiam sobre mim e nunca dexavam qualquer brecha para que eu brilhasse ou ao menos reluzisse ou mesmo uma pequena fagulha nada o tempo simplesmente passava e eu passando junto nao dexando marcas sendo um zero a esquerda como todos os outros que eu julgava conhecer

agente se acostuma com a mediocridade e nao constesta os fracassos fazem parte a falta de perspectivas so é preenchida por esparsos devaneios e eu sou um merda essa que é a verdade

hoje é o dia de passa tudo isso a limpo nao concorda

meu conselhero é um gato como sempre ele é de medio porte e cor acinzentada olhos escuros e olhar espiado me ouve com paciencia e vez que outra resmunga miau

julgo o miau como um prossiga e prossigo

meus problemas existenciais sao muitos que tomam minha cabeça de assalto e minha auto estima é mais baixa do que qualquer escavacao ja realizada quanto a minha aparencia esse é outro grande problema me acho grande desengonsado e feio um pateta rude e estranho que da medo em quem nao me conhece e mesmo os que me conhecem mantem certa distancia

ele assente com o pequeno cranio e boceja

eu sou um animal selvagem e pouco comunicativo me julgo inteligente mas nao exerço qualquer atividade que coloque a inteligencia em pratica sou um animal sou um robo

o chapeu ah o chapeu na cabeça é o ultimo adereço e talvez o mais primitivo uma tentativa de esconde as entrada a odiada calvice que bateu cedo e a barba é uma compensaçao do pouco cabelo se bem que ate mesmo a barba é irregular eu nao me importaria em ser feio se nao fosse um fracassado isso é deslealdade

vou ate o riacho bebe um pouco de agua e lava o rosto voce quer vir comigo o gato nao responde eu levanto ele fica imovel essa casa velha carrega lembranças que eu achava ruins e hoje me parecem os melhores momentos da minha vida gostaria de volta pra minha tenra infancia abandonado em um saco de lixo no meio da chuva carregado pelas aguas do riacho ate essa casa velha habitada por uma senhora morta e seus gato que me alimentaram e nao me deixaram morre e procriaram e me fizeram parte da familia deles

demorei oito anos pra ter um nome em compensacao tive a oportunidade de escolhe o meu e tenho certeza que nao existe uma unica pessoa que lembra ele ou em algum momento penso em mim sabe eu acho que o melhor a se fazer é desisti larga tudo e qualquer tipo de preocupacao pra aceita a realidade de que eu sou ninguem

ninguem

tanto sangue derramado

a grama nao crescia em volta daquela casa maldita tamanho odio saia de dentro daquelas janelas e portas quase sempre trancadas

o velho morador vivia em eterno luto pelo seu filho que foi brutalmente assassinado enquanto pescava por um grupo de jovens que o confundiram seu sangue escorreu pelo rio e mancho tudo pintando a agua de vermelho

o corpo nunca foi encontrado o unico jeito de comprova que era sangue de seu filho foi bebendo aquela agua depois cortando seu braço e misturando o proprio sangue com o liquido que guardava dentro da termica o gosto era o mesmo

agora o desejo de vingança dominava sua vida porem nao sabia nem mesmo quem havia cometido tamanho atentado na duvida matou todos

o velho era um homem vigoroso e foi ficando cada vez mais forte ate que mato toda a vizinhança incluindo alguns que moravam muito longe

depois de cada assassinato ele sentia que ainda nao era aquela pessoa a mesma sensaçao mais de 50 vezes incluindo tiros a sangue frio nos seus melhores e unicos amigos

meses depois de nao encontra mais nenhuma pessoa em seu caminho ele ficava preso dentro de casa enfraquecido a cada hora solitaria ate que ouviu alguem caminhando do lado de fora

pego o revolter e abriu a porta e o sorriso daquela moça lembro sua mulher falecida a tantos anos a menina estava perdida procurava por joao sim era o nome do seu filho que nem o cadaver encontrou pra enterra

venha aqui disse ele e entraram na casa

qual seu nome
luisa
conhecia o joao da onde
da vida
mas agora ele ta morto
dizem que nao
quem diz
os unicos ainda vivos
onde eles estao
longe
me leve ate eles
nao posso
por favor

luisa tirou uma faca debaixo do vestido e cortou sua propria garganta

o velho chorou pela primera vez na vida e tambem tirou sua vida

o sangue de ambos escorreu ate a grama e la desapareceu

tamires

hoje pode parece mentira mas nao faz tanto tempo assim existiam centenas de comunidades no orkut da estirpe de ‘eu odeio nescau’ e ‘eu odeio gelatina’ e afins alem da grandiosa ‘eu odeio segunda-feira’ que nao vem ao caso

em um segundo instante uma nova onda tomo conta foi quando se criaram as comunidades ‘eu odeio quem odeia nescau’ ‘eu odeio quem odeia gelatina’ e assim por diante e foi dentro desta rede social que floresceu uma briga que tomaria conta do dia a dia de jovens e tiraria a vida de grande parte deles

no colegio joao paulo uma menina muito chata falava alto era intrometida inconveniente alem de outros adjetivos muito mais pesados ela se chamava tamires

insuportavel como poucas pessoas no mundo nao tardo pra criarem a comunidade ‘eu odeio a tamires’ logo ja eram dezenas em seguida centenas e nao demorou para milhares fazerem parte dela

tamires era odiada so que sempre tem uns babaca que gosta de sofre e nesse caso eram os idiota que apreciavam sua companhia em resposta criaram a ‘eu odeio quem odeia a tamires’

quem era da ‘eu odeio a tamires’ se sentiu ferido porque alguem passou a odia lo assim tao de repente pensava logo a duvida deu lugar a ira e uma nova comunidade ‘eu odeio quem odeia quem odeia a tamires’

agora a coisa tinha ficado seria e foi nesse ponto que começaram as mortes

o criador da primera comunidade foi o primero a ser assassinado em pleno patio do colegio sua cabeça foi posta em cima do bebedor era um aviso mal sabiam que era apenas o começo de uma historia de horror

todo recreio viro um verdadero campo de batalha os jovens levavam armas e escudos pra escola e inclusive uma guilhotina foi instalada ao lado do escorregador

em menos de um mes o numero de alunos no joao paulo caiu para 50 eram os ultimos que restavam

entre eles estava tamires foi quando ela se deu conta que a unica alternativa viavel para acabar com o derramamento de sangue era cria uma nova rede social onde nao houvesse mais comunidade como havia antigamente e foi nesse dia que nasceu o facebook

gotas de um destino

que dia terrivelmente quente era aquele
a terra viro um deserto ou melhor o proprio inferno ou pior a moradia que nem o diabo aguentou e foi pra baxo da terra se esconde

a temperatura escaldante produzia horror de uma maneira nunca antes vista e as pessoas tinha sede

os poço tudo vazio havia criado aquele triste cenario de guerra por agua cada gota valia vidas

e dentro de um casebre que um dia foi uma mansao jonas quardava um balde cheio

filho vem ca toma um gole disse ele

os animais cambaleavam nas ruas cachorros bebiam esgoto gatos lambiam paredes em busca de umidade vacas ja estavam mortas bodes tambem

tiros na rua
alguem foi alvejado e um grito se ouviu
o sujeito carregava uma garrafa dagua escondida debaixo da blusa essa foi sua causa de morte

jonas sabia que algum dia o balde iria acaba mas o que fazer ele precisava dar agua aos filhos mas ao mesmo tempo sair de casa era perigoso

passaram se semanas nesse dilema
a agua rareava cada dia a dose era menor

pai quero mais agua
filho nao posso

o drama assolou toda populaçao mundial e os humanos viviam apenas com instinto sem raciocinar

ate que um dia choveu
as pessoas sairam as ruas felizes sorridentes gargalhavam alto urravam sim estava chovendo torrencialmente trovoes eram o preludio da salvaçao

todos enchiam baldes garrafas potes qualquer coisa que podesse transporta e armazena agua

temos nossa vida de volta disse um velho

o que poucos sabiam é que aquela chuva fora contamida por acido

toda populaçao mundial morreu

o espelho quebrado

um menino vivia numa casa muito pobre era tao pobre que nao tinha asoalho era barro no chao terra preta e quebrada a imagem da pobreza

nao tinha comida ele fazia sopa de prego com jornal pra da gosto era triste demais a situacao que nenhuma pessoa no mundo merece ter que passa e foi assim por anos e anos a fio

um dia o menino encontro um espelho cuja moldura era dourado um ouro centilante e brilhoso massiso puro verdadero valioso o espelho porem estava quebrado e nao se podia enxerga qualquer coisa

o pobre menino nunca havia saido de casa e como ele era pobre tambem nao tinha espelho entao ele nao sabia que aquilo era um espelho porque ele nao sabia que aquilo era ele e ele vivia sozinho fora abandonado pelos pais que na verdade estavam mortos

todo dia o mesmo prego e o mesmo jornal ele esquentava dentro da agua e tomava era uma tristeza

depois de acha o espelho sua vida mudo ele começo a coloca o espelho dentro da agua quente tambem e começo a senti o gosto do ouro o gosto do prazer o gosto da vitoria

porem os caco do espelho caiu dentro daquela agua e o pobre menino nao viu bem como o ouro ja muito velho contendo substancia quimica deploravel pro corpo que corroeu as veia do pobre menino

ele morreu ali deitado mas pra ele a morte teve o gosto da vitoria

aquele inverno foi ruim

gente esse texto é inspirado num livro de um ator que nao lembro o nome mas ele tambem escreveu sobre o pó devia se maconhero

que dia bosta aquele meu deus
perdi mae pai irmao e vo
e depois o cachorro

as lagrimas que escorreu foi daqueles em que cada gota era um pedaço da vida se esvaziando que pena que senti de mim mesmo

e tava frio e sem as meia so restava chora de pe descalço

agora o tempo passo e vi que era bobagem na verdade me abandoram mesmo morei anos em orfanato

gente essa é historia do meu irmao adolfo que ja morreu era adotado mas ne