a miseria da vida

versava sobre as dificuldades em manter uma vida digna trabalhando muito e ganhando pouco com projetos na cabeça que nunca saem do papel quando chegam ate la

como as injustiças eram tantas e sempre recaiam sobre mim e nunca dexavam qualquer brecha para que eu brilhasse ou ao menos reluzisse ou mesmo uma pequena fagulha nada o tempo simplesmente passava e eu passando junto nao dexando marcas sendo um zero a esquerda como todos os outros que eu julgava conhecer

agente se acostuma com a mediocridade e nao constesta os fracassos fazem parte a falta de perspectivas so é preenchida por esparsos devaneios e eu sou um merda essa que é a verdade

hoje é o dia de passa tudo isso a limpo nao concorda

meu conselhero é um gato como sempre ele é de medio porte e cor acinzentada olhos escuros e olhar espiado me ouve com paciencia e vez que outra resmunga miau

julgo o miau como um prossiga e prossigo

meus problemas existenciais sao muitos que tomam minha cabeça de assalto e minha auto estima é mais baixa do que qualquer escavacao ja realizada quanto a minha aparencia esse é outro grande problema me acho grande desengonsado e feio um pateta rude e estranho que da medo em quem nao me conhece e mesmo os que me conhecem mantem certa distancia

ele assente com o pequeno cranio e boceja

eu sou um animal selvagem e pouco comunicativo me julgo inteligente mas nao exerço qualquer atividade que coloque a inteligencia em pratica sou um animal sou um robo

o chapeu ah o chapeu na cabeça é o ultimo adereço e talvez o mais primitivo uma tentativa de esconde as entrada a odiada calvice que bateu cedo e a barba é uma compensaçao do pouco cabelo se bem que ate mesmo a barba é irregular eu nao me importaria em ser feio se nao fosse um fracassado isso é deslealdade

vou ate o riacho bebe um pouco de agua e lava o rosto voce quer vir comigo o gato nao responde eu levanto ele fica imovel essa casa velha carrega lembranças que eu achava ruins e hoje me parecem os melhores momentos da minha vida gostaria de volta pra minha tenra infancia abandonado em um saco de lixo no meio da chuva carregado pelas aguas do riacho ate essa casa velha habitada por uma senhora morta e seus gato que me alimentaram e nao me deixaram morre e procriaram e me fizeram parte da familia deles

demorei oito anos pra ter um nome em compensacao tive a oportunidade de escolhe o meu e tenho certeza que nao existe uma unica pessoa que lembra ele ou em algum momento penso em mim sabe eu acho que o melhor a se fazer é desisti larga tudo e qualquer tipo de preocupacao pra aceita a realidade de que eu sou ninguem

ninguem

meu caso com a fatima

– leproso

essa foi a unica palavra da famita na noite em que nos conhecemos
dormi com aquilo na cabeça leproso foi foda

na segunda noite  em que encontrei ela eu precisava revidar
– tinhosa

eu vi como ela recebeu aquilo fingindo indiferença

é uma vagabuunda mesmo essa piranha eu pensei mas fiquei quieto
ela me olho me reparo e disse
– é um babaca

ah nao babaca nao

– qual é a tua o tu linguaruda
– que que foi o cara
– eu que te pergunto
– entao vai te fude seu idiota canalha tu é um canalha

era dificil fala com ela

– escuta aqui o carla peres
– nao sou loira porra
– e o que que tu é
– sou mulher do wiliam bonner

– fatima?
– sim

a cabeça afirmativa era ela

– oi fatima
– oi
– tudo bom
– sim him
– nossa isso é demais
– vamo embora
– vamo

sumi com a fatima por tres dias
a gente fez tudo que se pode imaginar e o que pessoas mais rasas nao conseguem supor

daria um exemplo mas pra preserva o respeito porque eu tenho muito carinho pela fatima eu nao vou dizer

e que mesmo com meu passaporte vencido nos fomos pra nicaragua fazer compras e aquela mulher mais madura ao meu lado fomos a bons restaurantes e tomamos vinho ela mais que eu tomei cerveja e um pouco de whisky depois submarinos e por fim cachaça de alambique ate em um momento me desprendi do meu corpo e acho que era um acido na minha boca a fatima tambem aconteceu a mesma coisa ela tava voando

a gente acordou em uma praia eu com leves queimaduras do sol e a fatima um camarao

em algum momento da noite ela fez dread no cabelo quando percebeu isso gritou

– meerda

– calma fatima
– to na merda agora
– calma ta legal
– mas e o bô
– esquece
– é meu marido
– fatima vem comigo
– eu nao posso
– fatima

naquela noite eu fui pra casa embriagado sozinho nervoso e quando eu estava chegando na porta um carro estacionou do meu lado

– o mane
– quem
– mane
– quem tu é
– manezao
– otario

– onde tem posto de gasolina aqui perto
– umas tres quadra pra frente
– porra eu vo fica sem gasolina e nao posso desliga o carro meu amigo por favor vai no posto eu te dou o dobro de dinhero te dou 50 reais pra voce me traze uma garrafa de refri com gasolina e quando tu volta te do mais 50

aquilo me cheirou estranho
mas como o dinhero nao vem facil na vida a fatima tinha me abandonado e eu tava na pior eu aceitei fui no posto e comprei alcool pra sobra uns troco a mais tomara que seja flex o carro e voltei o cara nao me deu 50

– eu te dou 1000 se tu vier comigo
– pra onde cara
– eu so fotografo
– e dai
– eu tirei fotos

puta que pario o cara era chato
acenei com a cabeça

– da fatima bernardes de dread ela tava loca na rua eu tirei foto isso aqui vale uma fortuna
– e por que tu ta sem gasolina
– essa merda aqui ta vazando
– puta que pario

eu sai correndo foi automatico um presentimento

corri e no meio da corrida o carro explodiu o barulho foi bem alto

eu voltei pra ver e o fotografo tinha virado cinzas
remexi o carro e o engraçado a camera tava intacta as fotos de fatima tudo ali

visivelmente drogada era uma escandalo eminente

foi um sinal divino a morte do homem seu dinhero queimado

fiquei sabendo depois foi apontado suicidio disseram que ele era viciado em candy crush

isso aconteceu ha mais ou menos 18 meses