Poetas de Marte

Passarinhos em grandes ninhos ocupam as árvores altas
Cantam
Um louco no celular caminha atordoado
Do outro lado, vem um marginal
Um skatista de braços tatuados atravessa a rua
Um homem enorme e obeso, seminu, esconde a cara embaixo de um boné

Uma estagiária se apressa para uma entrevista em outro emprego
Uma loira de meia idade, de terninho nesse calor

Um pipoqueiro empurra seu carrinho

Duas moças conversam
Seguem a passos curtos e rápidos
Uma delas é a louca que discute com o louco
Ela não está no celular
Se cruzam e não percebem
Ele segue discutindo
Escreve: tu é uma puta

Na passarela, entre os prédios do Ministério Público, um homem de gravata observa o rio

Uma tarrafa é arremessada no arroio
Os peixes insistem em nadar na água podre
Hoje vai ter sushi

Debaixo da ponte, um cachorro corre atrás de um rato
Seu dono observa e torce
Pega
Pega

Uma carro conversível, não sei o modelo, passa por cima

Nem parece que é inverno

foto: Leonel Albuquerque

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