a hora de ir embora

o ultimo cigarro tem valor fisico quantico material e tem o valor sentimental o ultimo amigo um ultimo abraço um ultimo beijo para aqueles mais apaixonados trago seu amor de volta se voce me der a chance de dar mais uma tragada

na cabeça do joel a hora de ir embora tinha finalmente chegado nao por causa dos raios de sol que batiam na cara dos copos quebrados ou das pessoas jogadas pelos cantos tentando cumprir o papel de ser humano e falhando nada disso tinha importancia o que fez ele ir embora foi o maldito ultimo cigarro que teimou em acabar

joel mirou a saida e se pos de pe acontece que levantar é uma coisa sair caminhando é outra bem diferente ele seguia o embalo de seus passos elogiosamente pouco hesitantes para alguem que via o mundo sumir em suas piscadas cada vez mais longas tela preta e silencio se deu conta que so enxergava flashes em meio a escuridao

teve medo do que podia acontecer e parou por um segundo sair caminhando assim pela rua era loucura e a bem da verdade ele nem sabia como iria para seu apartamento fez força para andar um pouco mais e chegou a porta nao tinha certeza do que fazer olhou de volta para a sala e viu aquelas pessoas que faziam exatamente aquilo tentavam cumprir o velho papel de ser humano e falhavam eram pessoas que ele nao enxargava ha minutos atras quando ainda podia enxergar o tempo inteiro

a rua lhe dava medo essas pessoas lhe davam medo e ele mesmo lhe causava medo era um beco com varias saidas e todas terriveis sua cabeça estava confusa e teve o impulso de olhar para o relogio

se nao entendia nada a coisa passou a ficar pior ao ver que eram treze horas e quinze minutos uma serie de porra caralho puta que pario e similares ficaram presos na sua boca a garganta nao deixou que nada saisse e a cabeça começou a explodir engolia os xingamentos e fazia o coraçao acelerar logo a testa doeu uma dor forte e um zumbido insuportavel o levou ao completo desespero apertava as maos nos ouvidos com força e entao fechou os olhos e escorregou ate o chao quietinho sem qualquer intençao de incomodar desejou nao ter feito nada nessa noite nem em qualquer outra queria acordar dormindo na sua cama

sentiu frio

os outros estavam que nem ele pedir ajuda era certamente mais perigoso do que ficar calado sofrendo sozinho ate se tornar invisivel desaparecer desse mundo e ir para aquele outro lugar joel roçava os dedos na grama molhada e tinha um belo sol para ele e menina ao seu lado alguem que ele jura conhecer de verdade que nao faz parte so dessa miragem ele olha pro ceu pra menina e isso define a felicidade

a beleza pura algo que ele nao encontra em nenhum outro lugar e por que ele nao pode ficar para sempre aqui se sente tao leve que começa a flutuar ganhar o ceu ao ponto de alcançar as nuvens olha la do alto e ve tudo e nao sente o medo de altura abre um sorriso e procura menina

        ela tambem deve saber voar deve estar escondida junto com os anjos devem estar por aqui é bom sentir o vento quem sabe ele me sopra para algum lugar onde diabos esta a menina

        eu esperava ouvir harpas aqueles violoes grandes e um tipo de banjo iguais ao que tem pintado na parede da igreja perto da casa da minha mae uma musica classica um coral quem sabe algo alem do nosso alcance como um recital de uma sinfonia de beethoven ou um coral cantando bohemian rhapsody o cenario quando entrei na nuvem foi diferente

eram com essas as palavras que joel descreveria o que pensou se fosse submetido a algum tipo de interrogatorio transgalatico e daria prosseguimento contando o que viu dentro da nuvem poderiam ver pela sua palpebra pelas suas maos suadas que estava nervoso mas falava absolutamente a verdade e contaria tudo que se passou acontece que aqueles homens nem sempre querem saber a verdade

joel abriu os olhos e enxergou branco era o teto estava de volta levantou um pouco a cabeça a sala tinha menos pessoas eram poucas agora nao sentia suas pernas nem seus braços era como se nao estivesse dentro do seu corpo os raios de sol refletiam nos copos quebrados e formavam uma cena bonita ele ficou um tempo escorado na parede com as pernas esticadas no chao respirou fundo para levantar finalmente pronto para encarar o mundo para conviver com pessoas e procurar a menina

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